Endometriose: quando a cólica forte não deve ser tratada como normal

Você não precisa se acostumar com uma menstruação que todos os meses interrompe sua rotina. Se a cólica faz você faltar ao trabalho ou à faculdade, cancelar compromissos, passar dias deitada ou tomar analgésicos repetidamente, vale investigar. Dor menstrual que limita a rotina não deve ser simplesmente aceita como “normal”. A endometriose é uma doença crônica e pode afetar a qualidade de vida, a vida sexual e, em algumas mulheres, a fertilidade.

Revisão médica: Dra. Karen C. Camarotto Publicado em 18/03/2026 8 min de leitura
Endometriose: sintomas e diagnóstico — Clínica Patah, ginecologia e obstetrícia em São Paulo

Minha cólica é normal? A pergunta mais importante não é “quanto dói?”

Não existe uma escala única capaz de dizer qual cólica é normal e qual não é. O que importa é o impacto da dor na sua vida. A endometriose deve ser suspeitada diante de sintomas como cólica intensa ou progressiva, dor pélvica fora da menstruação, dor na relação sexual, dor para evacuar ou urinar, alterações intestinais cíclicas e dificuldade para engravidar.

A FEBRASGO destaca que a suspeita clínica é fundamental e que a doença pode comprometer qualidade de vida e fertilidade. A SBE também enfatiza informação, diagnóstico e cuidado multidisciplinar como partes importantes do enfrentamento da doença.

O que é endometriose?

A endometriose é uma doença ginecológica crônica em que tecido semelhante ao endométrio aparece fora da cavidade uterina. As lesões podem acometer o peritônio, os ovários e estruturas profundas da pelve, inclusive intestino e bexiga. A inflamação associada à doença pode causar dor, aderências e alterações na anatomia pélvica.

E há uma informação importante: a intensidade da dor não determina, sozinha, a extensão da endometriose. Uma mulher pode ter sintomas importantes mesmo com lesões pequenas, enquanto outra pode apresentar doença mais extensa e pouca dor.

Endometriose, adenomiose e mioma não são a mesma coisa

Vale separar, porque os nomes se misturam nas buscas. Na adenomiose, o tecido endometrial cresce dentro da parede muscular do próprio útero. Já os miomas uterinos são nódulos formados por tecido muscular, com outra origem e outra lógica de tratamento. As três condições podem conviver na mesma paciente e causar queixas parecidas, o que é mais um motivo para não fechar diagnóstico por conta própria.

Quais sintomas merecem atenção?

A apresentação varia muito de uma mulher para outra. Alguns sintomas que justificam avaliação ginecológica são:

cólicas menstruais intensas, progressivas ou incapacitantes;

dor pélvica fora da menstruação;

dor durante ou depois da relação sexual, especialmente na penetração profunda;

dor para evacuar ou urinar, principalmente no período menstrual;

alterações intestinais cíclicas, como distensão abdominal, diarreia ou constipação;

sangramento menstrual muito intenso ou diferente do habitual;

dificuldade para engravidar.

Por que o diagnóstico pode demorar?

Porque a dor menstrual foi culturalmente normalizada por muito tempo. Além disso, sintomas intestinais e urinários podem ser atribuídos a outras causas, e exames de imagem realizados sem uma investigação direcionada podem não identificar determinadas lesões. Por isso, uma consulta especializada com história clínica detalhada — especialmente a relação dos sintomas com o ciclo — é parte essencial da investigação.

Como a endometriose é investigada?

A investigação combina história clínica, exame físico e imagem, e cada etapa orienta a seguinte.

  1. Conversa detalhada sobre o padrão da dor, o ciclo, a vida sexual, o intestino, a bexiga e o histórico familiar
  2. Exame ginecológico, que ajuda a localizar pontos dolorosos e a identificar alterações palpáveis
  3. Ultrassonografia transvaginal, ferramenta inicial mais usada; havendo suspeita de doença mais profunda, pode ser solicitada com preparo intestinal específico
  4. Ressonância magnética da pelve em situações selecionadas, sobretudo para mapear lesões profundas ou planejar uma cirurgia
  5. Avaliação em conjunto com outras especialidades quando há suspeita de acometimento de intestino, bexiga ou ureteres

A qualidade da imagem depende muito de quem examina e de quem interpreta. Um ultrassom descrito como normal não exclui endometriose, principalmente se foi realizado sem essa suspeita em mente. Se a dor persiste, a investigação continua.

A laparoscopia não deve ser entendida como um exame obrigatório para toda mulher com suspeita de endometriose. Atualmente, a decisão de realizar cirurgia deve ser individualizada, considerando sintomas, achados de imagem, resposta ao tratamento e objetivos reprodutivos.

Como é o exame no consultório

O exame ginecológico é feito com auxiliar presente na sala, com explicação do que vem a cada passo e com a liberdade de interromper a qualquer momento. Quem nunca passou por isso, ou está tensa justamente por causa do histórico de dor, pode se preparar lendo o que esperar da primeira consulta.

E se eu quiser engravidar?

Endometriose não significa infertilidade. Muitas mulheres engravidam. Quando existe dificuldade para conceber, porém, a avaliação precisa ser individualizada, considerando idade, tempo de tentativa, reserva ovariana, anatomia pélvica, características da doença e possíveis fatores relacionados ao parceiro.

Se você pretende engravidar agora ou no futuro, conte isso ao ginecologista. O desejo reprodutivo pode mudar completamente a estratégia de tratamento.

Como é o tratamento?

O tratamento deve ser individualizado. O objetivo é controlar a dor, preservar ou otimizar a fertilidade quando desejada e melhorar a qualidade de vida.

Dentre as opções de tratamento, temos:

  • Tratamento clínico e hormonal, com o objetivo de controlar a dor e reduzir o estímulo cíclico sobre as lesões
  • Manejo da dor com abordagem multidisciplinar, que pode incluir fisioterapia pélvica e apoio de outras especialidades quando a dor já se tornou crônica
  • Tratamento cirúrgico, em geral por videolaparoscopia, indicado em situações específicas como lesões profundas, endometriomas ou falha do tratamento clínico
  • Conduta expectante com acompanhamento regular, quando os sintomas são leves e bem tolerados

A cirurgia exige indicação criteriosa. Em especial, procedimentos sobre os ovários podem reduzir a reserva ovariana; por isso, o possível benefício deve ser cuidadosamente comparado aos riscos, sobretudo em mulheres que desejam engravidar.

Nenhuma dessas opções serve como recomendação para o seu caso a partir de um texto na internet. A escolha deve considerar sintomas, extensão da doença, idade, tratamentos anteriores e, principalmente, os planos de gravidez. O objetivo não é apenas tratar uma imagem no exame: é recuperar qualidade de vida e tomar decisões seguras para o futuro. O que este artigo pode fazer é te dar vocabulário para participar da decisão em vez de apenas recebê-la pronta.

Um cuidado importante: endometriose é uma doença crônica

Vale registrar também que o acompanhamento não termina quando a dor melhora. A endometriose é uma condição crônica e o seguimento periódico faz parte do cuidado, dentro da mesma lógica de frequência de consultas ao longo da vida.

O tratamento não deve ser visto apenas como a remoção de uma lesão. O acompanhamento é contínuo e pode precisar ser ajustado ao longo do tempo. Não existe uma solução única que sirva para todas as mulheres — e a melhora da dor deve caminhar junto com a preservação da qualidade de vida e, quando for relevante, dos planos reprodutivos.

Quando procurar um ginecologista? Uma consulta pode ser o primeiro passo para sair do ciclo da dor

Se a sua menstruação provoca dor que interfere na rotina, se há dor nas relações, sintomas intestinais ou urinários que pioram de forma cíclica, ou se você está tentando engravidar sem sucesso, vale conversar com um ginecologista com experiência na investigação de endometriose.

Sente que sua dor menstrual está limitando sua vida?

Na Clínica Patah, a consulta começa pela escuta cuidadosa dos seus sintomas e pela definição de uma investigação diagnóstica e tratamento individualizado. Fica na Consolação, a poucos minutos da Avenida Paulista e do Metrô Consolação. É uma clínica familiar de ginecologia e obstetrícia com mais de cinquenta anos de história no bairro, e procedimentos de consultório como Papanicolaou, inserção de DIU e implante contraceptivo são realizados no próprio local, sem encaminhamento para fora. Se a sua dúvida antes de marcar é sobre plano de saúde, vale ler como funciona o reembolso da consulta.

Se você chegou até aqui reconhecendo a própria rotina nesses parágrafos, o próximo passo é simples: agendar uma consulta e contar a história inteira, desde o começo. O agendamento pode ser feito pelo WhatsApp (11) 99422-4423.

As informações médicas deste artigo foram revisadas com base principalmente em materiais da Sociedade Brasileira de Climatério (SOBRAC), Federaçao Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetricia (FEBRASGO) e da Cleveland Clinic.

Referências resumidas

FEBRASGO – Comissão Nacional Especializada em Endometriose. Recomendações sobre apresentação clínica, diagnóstico por imagem, tratamento clínico e indicações cirúrgicas. FEMINA, 2025.

FEBRASGO. Diagnóstico e manejo da infertilidade associada à endometriose. FEBRASGO Position Statement, 2026.

Sociedade Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva (SBE). “Endometriose: causas, sintomas e tratamentos para uma vida melhor” (2024) e “Endometriose: como é feito o diagnóstico?” (2024).

Sociedade Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE). Conteúdos educativos sobre endometriose e qualidade de vida, 2026.

Cleveland Clinic. Endometriosis: Causes, Symptoms, Diagnosis & Treatment. Atualizado em 16/09/2024.

Harvard Health Publishing. Endometriosis; Treating the pain of endometriosis. Harvard Medical School.

Este conteúdo possui caráter exclusivamente educativo e informativo, não substituindo a consulta médica presencial. Foi elaborado para educação em saúde e comunicação com pacientes. As referências médicas e recomendações poderão ser atualizadas à medida que novas evidências científicas surgirem.

A medicina deve ser praticada de forma individualizada. Não utilize estas informações para autodiagnóstico ou para iniciar/interromper tratamentos sem a orientação de um ginecologista.

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