Miomas uterinos: quando acompanhar e quando é preciso tratar?

Você descobriu um mioma no ultrassom e ficou preocupada? Na maioria das vezes, isso não significa que você precise de cirurgia.

Revisão médica: Dr. Luciano Patah Publicado em 31/08/2026 9 min de leitura
Miomas uterinos: quando tratar — Clínica Patah, ginecologia e obstetrícia em São Paulo

Os miomas uterinos são tumores benignos muito frequentes e podem ser encontrados por acaso em um exame de imagem. Quando não causam sintomas importantes, muitas mulheres podem apenas ser acompanhadas, sem necessidade de cirurgia.

O tratamento não é decidido apenas pelo tamanho do mioma. A localização, o número de nódulos, os sintomas, a idade, os planos de gravidez e o impacto sobre a qualidade de vida são fundamentais para definir a melhor conduta.

O que é um mioma uterino?

Mioma, também chamado de leiomioma uterino, é um nódulo benigno formado principalmente por músculo do útero. Não é câncer e, em geral, não se transforma em câncer.

Eles são muito comuns durante a idade reprodutiva. Uma mulher pode ter um único mioma ou vários, de tamanhos diferentes, e nem todos provocam sintomas.

Os miomas respondem aos hormônios ovarianos e, após a menopausa, frequentemente diminuem de tamanho ou deixam de crescer. A presença de um mioma, portanto, não significa necessariamente que exista uma doença que precise ser tratada.

Mioma não é a mesma coisa que cisto ou endometriose

Mioma é uma alteração do músculo do útero. Cisto ovariano é uma alteração localizada no ovário, geralmente com conteúdo líquido. Endometriose é uma doença diferente, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, e está detalhada em outro blog.

Essas condições podem coexistir e alguns sintomas podem ser semelhantes. Por isso, o diagnóstico deve considerar a história clínica e os exames de imagem, e não apenas uma queixa isolada. Nada substitui uma avaliação individualizada.

A localização pode ser mais importante que o tamanho

Dois miomas com o mesmo tamanho podem produzir efeitos completamente diferentes dependendo de onde estão localizados. A classificação mais usada no dia a dia leva em conta a relação do nódulo com as camadas do útero:

• Mioma Submucoso: cresce em direção à cavidade uterina. É o tipo mais associado a sangramento menstrual intenso e pode ter maior relação com infertilidade e perdas gestacionais.

• Mioma Intramural: cresce dentro da parede muscular do útero. Dependendo do tamanho e da localização, pode contribuir para sangramento, cólicas ou sensação de pressão.

• Mioma Subseroso: cresce em direção à parte externa do útero. Geralmente causa menos sangramento, mas, quando volumoso, pode comprimir a bexiga ou o intestino, causando sintomas urinários ou intestinais.

Os miomas podem estar em mais de uma camada do útero e seu medico poderá avalia-lo e definir com voce a melhor opção de tratamento.

Quais sintomas realmente impactam a decisão médica

Muitos miomas não provocam sintomas. Quando provocam, os mais comuns incluem:

• Menstruação muito intensa ou prolongada, às vezes com coágulos.

• Anemia causada pela perda de sangue menstrual.

• Cólicas ou dor pélvica.

• Sensação de peso ou pressão na pelve.

• Aumento do volume abdominal.

• Vontade frequente de urinar.

• Constipação ou desconforto para evacuar.

• Dificuldade para engravidar ou perdas gestacionais, principalmente quando há alteração da cavidade uterina.

O impacto desses sintomas na qualidade de vida é um dos principais fatores considerados na decisão médica.

Quando a melhor conduta é apenas acompanhar

Se o mioma não causa sintomas importantes, muitas vezes não há necessidade de tratamento.

A chamada conduta expectante — ou seja, o acompanhamento clínico rigoroso sem realizar procedimentos cirúrgicos ou medicamentosos — é uma conduta médica ativa, consciente e respaldada pela literatura científica internacional (FEBRASGO, Harvard Health]. E, quando indicado, repetir exames de imagem em intervalos definidos pelo ginecologista.

Isso não significa ignorar o problema. Significa reconhecer que tratar um achado assintomático pode expor a paciente a riscos e efeitos adversos sem oferecer benefício proporcional.

A observação está indicada quando [cite: FEBRASGO, Cleveland Clinic]:

O mioma é assintomático e foi descoberto por acaso em exames de rotina.

O sangramento menstrual permanece dentro dos limites fisiológicos normais.

Não existem sinais de compressão sobre a bexiga, intestino ou vias urinárias.

O nódulo não interfere nos planos imediatos ou futuros de maternidade.

O acompanhamento pode ser especialmente razoável quando o sangramento é normal, não existe compressão de órgãos, não há impacto relevante sobre a fertilidade e o aspecto do exame é compatível com mioma.

Estima-se segundo a FEBRASGO, que 80% das mulheres em idade fértil apresentam mioma. E grande parte das mulheres convive com miomas estáveis ao longo de toda a vida sem nunca precisar de qualquer intervenção cirúrgica [cite: Harvard Health].

Como o mioma é investigado

A avaliação começa pela história clínica e pelo exame ginecológico. O médico procura entender o padrão menstrual, a intensidade do sangramento, a presença de dor ou sintomas urinários e intestinais, além dos planos reprodutivos. Normalmente, segue-se o seguinte fluxo:

  1. Conversa sobre o padrão do seu ciclo, a intensidade e a duração do sangramento, sintomas urinários e intestinais e planos de gestação
  2. Exame ginecológico, que pode identificar aumento do volume uterino ou irregularidades no contorno do útero
  3. Ultrassonografia, em geral transvaginal, para localizar, medir e classificar os nódulos
  4. Exames de sangue quando há suspeita de anemia decorrente do sangramento
  5. Ressonância magnética da pelve em situações selecionadas, como mapeamento de úteros com muitos nódulos ou planejamento de procedimentos
  6. Avaliação da cavidade uterina por métodos específicos como histeroscopia ou histerossonografia, quando existe suspeita de mioma submucoso ou investigação de infertilidade.

Se houver sangramento importante, o médico pode solicitar hemograma e outros exames para investigar anemia e excluir outras causas de sangramento uterino anormal. A presença de um mioma no ultrassom não significa necessariamente que ele seja a causa de todo sangramento.

Lembrete Importante para a Saúde Feminina Lembre-se: Nem todo sangramento vaginal aumentado é provocado por miomas, mesmo que você tenha um diagnóstico confirmado no ultrassom. Outras causas hormonais, estruturais ou do colo do útero precisam ser investigadas. O acompanhamento ginecológico e o exame preventivo (Papanicolaou ou Teste para HPV) devem permanecer em dia. Na Clínica Patah, esses exames são realizados no próprio consultório, com total privacidade, conforto e equipe de apoio dedicada.

Quais tratamentos existem atualmente?

Quando existe indicação de tratamento, não há uma única solução que seja melhor para todas as mulheres. A escolha depende principalmente dos sintomas, da localização e do número dos miomas, da idade e, sobretudo, do desejo de preservar a fertilidade. As principais opções são:

• Tratamento medicamentoso: pode controlar o sangramento e melhorar os sintomas, embora geralmente não elimine o mioma. Algumas terapias com medicações específicas podem reduzir temporariamente o volume dos miomas ou controlar o sangramento.

• Miomectomia: cirurgia que remove os miomas e preserva o útero. Pode ser realizada por histeroscopia, laparoscopia ou cirurgia abdominal, conforme o número, o tamanho e a localização dos nódulos.

• Embolização das artérias uterinas: procedimento realizado por radiologia intervencionista que reduz o fluxo sanguíneo para os miomas, levando à sua redução. A decisão deve ser especialmente cuidadosa quando existe desejo de gravidez futura.

• Histerectomia: retirada do útero. É o tratamento definitivo para os miomas e elimina a possibilidade de novos miomas no útero, mas encerra a possibilidade de gestação.

Nenhuma dessas alternativas é automaticamente melhor que as outras. Cada uma tem indicações, limitações e implicações diferentes para a fertilidade, para o tempo de recuperação e para a chance de novos nódulos aparecerem depois. O objetivo é escolher a alternativa que resolva o problema com o menor risco possível e esteja de acordo com os planos da paciente.

Mioma, gravidez e fertilidade

O desejo de engravidar é um dos fatores que mais pesam na decisão. Ter mioma não significa que você não possa engravidar. Muitas mulheres com miomas engravidam normalmente e levam a gestação sem intercorrências. Em outros casos, sobretudo com nódulos que deformam a cavidade uterina, o mioma pode interferir na implantação ou no decorrer da gravidez, e a discussão sobre tratar antes de tentar engravidar passa a ser relevante.

Recebeu indicação de cirurgia?

Antes de decidir, procure entender:

  • Qual problema o mioma está causando?
  • Onde ele está localizado?
  • Qual é o tamanho e quantos miomas existem?
  • Ele altera a cavidade uterina?
  • Existem alternativas ao procedimento?
  • Como cada opção pode afetar a fertilidade?
  • Quanto tempo será necessário para recuperação?
  • O que pode acontecer se eu apenas acompanhar?

Uma decisão bem tomada começa com informação clara.

Quando procurar um ginecologista?

Procure avaliação se apresentar:

  • sangramento menstrual muito intenso ou prolongado;
  • sinais de anemia;
  • dor pélvica persistente;
  • aumento progressivo do abdome;
  • sintomas urinários ou intestinais;
  • dificuldade para engravidar;
  • sangramento após a menopausa.

Sangramento após a menopausa sempre merece investigação, mesmo quando existe um mioma conhecido.

Conclusão

Encontrar um mioma no ultrassom não significa automaticamente cirurgia. Na maioria das mulheres, a decisão depende da combinação entre localização, tamanho, sintomas, repercussão sobre a qualidade de vida e planos reprodutivos.

Miomas assintomáticos frequentemente podem ser apenas acompanhados. Quando existe indicação de tratamento, existem alternativas clínicas e procedimentos que podem preservar o útero em situações selecionadas.

O melhor tratamento não é necessariamente o mais agressivo. É aquele que resolve o problema que realmente incomoda com o menor risco possível para a mulher.

Na Clínica Patah, a consulta é individualizada, com análise dos exames e discussão das possibilidades de acompanhamento ou tratamento de acordo com cada caso.

Se você recebeu um diagnóstico de mioma, está com sangramento aumentado, tem dúvidas sobre sua fertilidade ou recebeu indicação de cirurgia, agende uma avaliação para entender suas opções com mais segurança.

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As informações médicas deste artigo foram revisadas com base principalmente em materiais da Federaçao Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetricia (FEBRASGO), do Ministério da Saúde, da Harvard Clinic e da Cleveland Clinic.

Referências resumidas

FEBRASGO. Miomas uterinos. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. FEMINA, 2021.

FEBRASGO. Sangramento uterino anormal. Protocolos FEBRASGO, nº 28, 2021.

FEBRASGO. Sangramento uterino anormal: atualização sobre diagnóstico e tratamento. FEMINA, 2026.

Cleveland Clinic. Uterine Fibroids: Causes, Symptoms, Diagnosis & Treatment. Cleveland Clinic.

Cleveland Clinic. Menstrual Disorders, Fibroids and Hysteroscopic Services. Ob/Gyn & Women’s Health Institute.

Harvard Health Publishing. What you should know about fibroids. Harvard Medical School.

Harvard Health Publishing. Fibroids – A to Z. Harvard Medical School.

Harvard Health Publishing. No “best” treatment for common uterine fibroids. Harvard Medical School.

Este conteúdo possui caráter exclusivamente educativo e informativo, não substituindo a consulta médica presencial. Foi elaborado para educação em saúde e comunicação com pacientes. As referências médicas e recomendações poderão ser atualizadas à medida que novas evidências científicas surgirem.

A medicina deve ser praticada de forma individualizada. Não utilize estas informações para autodiagnóstico ou para iniciar/interromper tratamentos sem a orientação de um ginecologista.

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